Procrastinar é preciso!

A reação é sempre a mesma quando se descobre o significado do termo procrastinação: “eu faço isso, agora sei o nome”. Todo mundo, pelo menos alguma porção de vezes durante a vida, deixa alguma tarefa obrigatória de lado para fazer alguma coisa mais divertida. Como qualquer outro comportamento, em excesso é um perigo.

A matéria abaixo foi auto-inspirada e todo o processo de produção dela me ajudou muito. Não deixe para outra hora e leia logo! J

Um olho no futuro e outro no relógio

  • 13 outubro 2010

Postergar, atrasar, demorar, adiar, delongar. São muitos os sinônimos para a palavra procrastinar. O termo não é tão comum quanto o ato em si, pois procrastinação remete à dieta que só começa na segunda, ao exame médico nunca marcado, ao armário bagunçado, enfim, é algo que deve ser feito, mas é adiado por outras ações mais prazerosas. Esse comportamento é mais corriqueiro do que se pensa e muito prejudicial, especialmente no meio acadêmico, período de transição entre a vida escolar e o mercado de trabalho.

A gestão do tempo foi identificada como um dos maiores problemas para os estudantes que buscavam auxílio psicológico no Setor Psicossocial da PRAE, na UFSM, segundo o psicólogo Jaisso Vautero. O  setor planejou, então,  a oficina Cadê meu tempo?, ministrada pelos acadêmicos de Psicologia Lucas de Abreu Collares e Ana Lúcia Cantarelli. Na ocasião, alunos do ensino técnico, graduação e pós-graduação conheceram o conceito de procrastinação e aprenderam técnicas de gestão do tempo.

“Muitas vezes, o aluno chega com essa demanda de ansiedade e com o pensamento de não ter tempo para nada, em uma situação de desequilíbrio entre a vida pessoal e a acadêmica”, relata Collares, que também trabalha no atendimento psicológico. Na oficina, os participantes foram convidados, em um primeiro momento, a listar suas atividades diárias no papel. “Muitas pessoas dizem que não têm tempo para nada, mas quando contabilizam o tempo gasto em banalidades, não têm mais desculpa”, diz Collares. Através de questionamentos como “o que você está fazendo que não precisa ser feito?” e “o que você está fazendo que pode ser feito por outra pessoa?”, os alunos foram incentivados a  refletir sobre como equilibram o tempo para cumprir seus sonhos e metas e o quanto investem em cada área da vida, como família e amigos.

 

Algo que se costuma não adiar é o ato de adiar. Não só trabalhos de aula, mas aquela visita aos amigos, o cinema do fim de semana. Até o lazer é deixado de lado para quando houver tempo. Procrastinar não tem a ver com preguiça, é a falta de empenho em realizar uma tarefa específica. Segundo Collares, dois tipos de pessoas podem ser identificados: os ligados a prazos e os ligados às relações sociais.

Quem investe mais tempo nas relações costuma deixar o trabalho para depois. “Isso gera angústia e ansiedade por não poder cumprir as demandas”, expõe Collares. Já o grupo ligado a prazos, procrastina a vida social: “A gente tem uma tendência, devido à competitividade do mundo, a querer montar o melhor currículo e por isso muitos nunca negam atividades. Não adianta um artigo custar tua qualidade de vida.”

Collares dá a dica para quem produz muito, especialmente alunos da pós-graduação: “É preciso delegar, saber dizer não, abrir mão e saber que nem por isso as metas não serão atingidas. O trabalho vai ganhar qualidade, porque vai ser feito com menos cansaço e estresse”.

Saber separar os assuntos em importantes e urgentes é outra maneira de otimizar o tempo, explica Collares: “Namorar, ir a uma festa, encontrar amigos, tudo isso é importante. Cumprir metas, entregar um trabalho é urgente, não pode deixar de ser feito. O problema é quando o importante toma o lugar do urgente e vice-versa”.

Não empurrar com a barriga

O adiamento de uma atividade traz uma sensação de que tudo se resolverá como mágica. Esse sentimento de alívio é apenas temporário. Com a rotina tomada por pequenos atos inúteis aparentemente inocentes, o procrastinador acumula noites mal dormidas, ansiedade, sentimento de culpa que refletem fisicamente com dores de cabeça e no estômago, por exemplo. O problema não resolvido não é esquecido e a cabeça só se distrai temporariamente e logo a necessidade de fazer o adiado volta. Em dobro.

Há também o “perfeccionismo antiprodutivo”, um medo de que o trabalho não saia como o esperado. Ansiedade e sentimento de culpa causados pela procrastinação podem levar a sintomas físicos, como dores de cabeça e no estômago.

A receita para acabar com a procrastinação parece fácil: “pare de enrolar e faça”. Mas não é assim tão simples, ou não teriam tantas pessoas se identificando com as situações descritas anteriormente. É preciso fazer uma auto-análise para descobrir a melhor maneira de se organizar. “Primeiro é preciso reconhecer onde estão as falhas, depois as forças e depois fazer um planejamento”, explica Collares. Delimitar horários é o principal a ser cumprido no cotidiano e estimar o tempo necessário para executar as tarefas sempre pensando que imprevistos acontecem. Listas com as tarefas devem ser feitas, mas separadas por setores, como “casa” ou “faculdade”.

Prazos colocados no papel ajudam a vislumbrar o que deve ser feito. “É preciso escrever, porque se o procrastinador só faz isso no plano imaginário, vai ser bem mais difícil perceber onde está pecando”, afirma Collares. Se houver dificuldade em planejar sozinho, um profissional deve ser procurado. Depois de tudo organizado, é hora de colocar em prática. É enorme a diferença entre saber o que deve ser feito e tomar a atitude correta. Como diz o verso da música da banda Legião Urbana, “disciplina é liberdade” e, apesar de precisar ser mais enérgico para não procrastinar, a energia gasta compensa com a sensação de dever cumprido.

PRAE organiza oficinas focadas na qualidade de vida do estudante

Além do atendimento psicológico, a PRAE oferece grupos de apoio e oficinas. Os grupos têm um caráter terapêutico e as oficinas uma abordagem mais pontual. Os temas abordados versam sobre variações de humor, adaptação à vida acadêmica, reorientação profissional, apresentação de trabalhos.

O psicólogo da pró-reitoria, Jaisso Vautero, relata que a proposta das atividades é  focada na qualidade de vida do aluno. “Tentamos fazer com que o aluno se olhe e pense sobre quem é e no que quer da vida, e isso vai ter reflexo não só na sua qualidade de vida hoje, mas na sua carreira, fora da universidade”.

Para participar saber a programação das oficinas basta entrar em contato com a PRAE pelo email psicossocialprae@gmail.com ou pelo telefone 3220 8778. As atividades são gratuitas e as vagas limitadas.

Publicado originalmente em: http://w3.ufsm.br/infocampus/?p=2687

 

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