Revista Fora de Pauta: Esse tal de rock enrow santamariense

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Que delícia futricar nas reportagens antigas. Gosto quando o texto já não está fresco na memória e leio como se fosse de outra pessoa. Esse olhar distanciado nos dá mais poder crítico, e, ao mesmo tempo, dá uma sensação gostosa por saber todo o processo de produção daquele texto. Essa reportagem foi uma das que mais me envolvi. Foram muitas horas de entrevista, muito mais horas de transcrição, pesquisa e mais pesquisa. Nunca vou esquecer-me de cada um que entrevistei.  Muitos me receberam na própria casa para muitas horas de conversa e pude conhecer onde nasce o rock. Até fiz entrevistas em meio à extinta Boate do DCE. Foi tanto aprendizado e trocas que não coube no pouco espaço da revista. De lá para cá, se passaram quatro anos. Nossa! Muito mudou especialmente pelo incêndio na Boate Kiss. A cidade toda se reformulou a vida noturna não é mais a mesma. Só que eu precisaria de mais umas 16 páginas para contar tudo.

Na época, falei sobre o processo de produção da revista e alguns agradecimentos nesse post.

Leia a reportagem aqui ou abaixo, como preferir. 🙂 Depois da reportagem, tem o link de algumas Revista Fora de Pauta antigas. Se quiser, pule lá e confira.

Esse tal de rock enrow santa-mariense

Uma palhinha de quem faz, quem dá uma mão e quem é fã do rock feito por aqui.

Cabeludos aos montes, com seus jeans surrados, os braços levantados, cantando a plenos pulmões a letra de uma música feita com guitarras pesadas e vocais um tanto gritados. Essa parece ser uma cena comum de um show de rock, o lugar em que o palco foi montado é que não é: bem na “boca” do Calçadão Salvador Isaia, no centro de Santa Maria, em uma época em que era mais costumeiro o rock fechar ruas e praças, quando a cidade não era só o “Coração do Rio Grande do Sul”, mas a “Seattle do Sul”.

“Cidade de passagem” é também uma alcunha de Santa Maria, pelo fluxo de estudantes e militares. O que não está de passagem pela “Cidade Cultura” é o rock, que mesmo tendo se modificado, ainda persiste, assim como acontece no mundo todo. Muito mudou desde que as meninas berravam ao ver Elvis remexer os quadris no palco. Aqui não foi diferente. Ou foi? Os jovens que nos anos 90 circulavam pela Rua Dr. Bozano com seus vinis embaixo do braço são os mesmos que colocam seus coturnos e amanhecem no DCE hoje?

Entre altos e baixos do rock em Santa Maria, um lugar comporta e comportou roqueiros de ontem e de hoje. O DCE, “apelido” da Boate do Diretório Central de Estudantes da UFSM, mantido pela entidade estudantil, funciona desde os anos oitenta estabelecido na Casa do Estudante Universitário I (CEU I). Toda sexta-feira é sagrado: adoradores do rock batem o cartão por lá. No hall de entrada, em uma dessas sextas típicas, dos mais contidos aos mais produzidos, circulam figuras de todos os tipos.

Morador da casa e frequentador do DCE há seis anos, o estudante Conrado Meireles lamenta que o espaço seja utilizado só na sexta-feira, porque, segundo ele, o DCE “mantém um vanguardismo do rock”. Enquanto no setlist rolava um som clássico do The Who, as amigas Alith Moura de Freitas e Maritza Schmidt, estudantes, observam o pouco espaço para as bandas independentes e lembram que a Catacumba – espaço para shows dentro da boate – é um dos poucos lugares em que músicos não tão famosos podem tocar.

O estudante Marcelo Custela diz que já rodou pelo Brasil e o DCE é mesmo ímpar. Mesmo assim, a cena ainda poderia ser melhor: “Se a galera fosse mais pilhada, teria não só uma cena musical mais rica, mas uma cena cultural”. Alith aponta o trio de sucesso que faz muita gente voltar sempre na boate: “Cerveja barata, boa música e boas companhias”. Motivo maior que esse? Ademir Generoso, o Pink, diz o porquê de sempre voltar ao DCE há mais de 10 anos: “Não sou amante, sou marido do rock, não, mais que isso, sou um gigolô do rock, por isso tô aqui”.

Surge um vocalista em Zanzibar

Antes mesmo do DCE, os poucos que produziam música levavam seus instrumentos comprados ou feitos por eles e quem se arriscasse podia mostrar os dotes musicais para os outros no palco do Zanzibar.  Por lá passaram Celso Streit, Alex Lappam, o artista plástico Geraldo Marques, e vários outros que já tinham suas bandas, especialmente de jazz, e costumavam tocar nos bailinhos e lá se soltavam. Uma das “crias” do Zanzibar, mora hoje em dia no que ele denomina “casa do rock”. Se não é isso, é definitivamente um espaço que respira o estilo. Até o gato da casa foi batizado em homenagem a Geddy Lee, do Rush. O lugar é o lar de Edson Kroth, mais conhecido como Pylla.

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Com ele mora o sobrinho e pupilo, Léo Mayer, que com apenas 15 anos é guitarrista da atual banda do tio, a Carbono 14. Completam a formação o baixista e professor de Léo, Cantídio La Maison, e o baterista Pablo Castro. O nome é uma referência ao apelido de “dinossauro do rock” dado pelos jornais na época em que Pylla retornou aos palcos. Nos shows, impressiona a vitalidade dos “dinossauros” e o domínio da guitarra do precoce Léo, que não se intimida nas bases e nos solos, interpretando clássicos do rock’n’roll. Quando Léo nem tinha dados os primeiros passos, Pylla decretou “nasceu meu guitarrista”, sob os protestos do pai do guri.

Mesmo depois de 30 anos de carreira, Pylla ainda conserva o cabelão ultrapassando os ombros, jeans justos, jeito descolado de falar, o ar de uma geração pautada pelos shows super produzidos, roupas idem das bandas de Hard Rock, como Rush e The Who. Nada parecido com os “largadões de Seattle” que tiveram seu ápice nos anos 90, como Soundgarden, Nirvana, Alice in Chains e Pearl Jam, contemporâneas à denominação de Santa Maria como a “Seattle do Sul”. Mesmo assim, a expressão pegou. O criador da frase, Paulo Ricardo Pedroso, explica que a comparação foi feita porque as duas cidades eram campo fértil para o bom rock, independente do estilo.

Comunicador da Atlântida na época, Paulo Ricardo foi também um dos responsáveis pela inclusão de muitas bandas da cidade na emissora e nos festivais organizados pela mesma. “A Avenida Presidente Vargas era palco, todos os domingos, de grandes shows. A gente alugava um palco, pagava um cachê pras bandas, colocava um camarim com tudo que eles poderiam querer e o público ia lá gratuitamente”. Nesses shows, o público chegava a três mil pessoas.

“Enquanto as rádios de POA continuavam tocando Angélica, em Santa Maria tínhamos as nossas bandas, mais o Rush, Deep Purple, U2, um desfile de coisas boas e as bandas daqui não ficavam pra trás”, diz Paulo Ricardo. Entre as bandas que tocavam nas rádios e nos shows estavam a Fuga, em que Pylla era vocalista, Nocet, Doce Veneno, Feeling, Ponto G, Dirty Job, Serpent Rise. O comunicador buscava incluir as bandas nem que fosse por uma única vez, para que o povo soubesse o que se está produzindo em Santa Maria.

O primeiro elo

Entoadas até hoje, “Saudade” e “Não Vou Ficar” marcaram a geração da “Seattle do Sul”. As músicas estão na primeira coletânea produzida fora do circuito da capital, com o nome de Elo Um, lançada em 1993, de forma independente, totalmente autoral, reunindo as santa-marienses Fuga, Nocet, Doce Veneno e Feeling.  “O Elo Um foi quando a gente sentiu que éramos fortes e que estava se armando um grande jogo na capital para que o rock do interior não chegasse lá”, conta Pylla. O Elo Um teve um segundo volume, mais voltado para covers.

Formavam a Fuga, além de Pylla nos vocais, Rafael Ritzel e Zezinho Cacciari nas guitarras, Gonçalo Coelho no baixo e na bateria, Pipoca. Antes do Elo Um, a Fuga lançou o “Crime ao Vivo”, em 92, e antes ainda, disco homônimo da banda, em 89. “Sem Medo” uma das faixas de “Fuga” teve um videoclipe dirigido por Sérgio Assis Brasil, diretor de “Manhã Transfigurada”. Em tempos de apogeu de bandas como Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós, a Fuga se diferenciava com passagens instrumentais e arranjos complexos.

O Elo Um não foi o marco inicial do rock na cidade, é claro. Muito antes, bandas como Thanus e A Bruxa já davam as caras e dez anos antes da coletânea, em 83, outro disco era lançado. “Mistério dos Quintais” é o nome do primeiro e único registro da dupla de folk psicodélico Dimitri e Negendre Arbo. Em 78, os irmãos começaram a tocar em Santa Maria com a Quintal de Clorofila. Flauta e violão eram os instrumentos principais da banda, mas no disco serrotes, galões e telhas compunham as canções, bem ao estilo Hermeto Pascoal, com a proposta era se contrapor a oligarquia musical do tradicionalismo gaúcho. “Éramos poucos defendendo a bandeira de uma música livre (o mesmo estandarte do painel que o grande Garriconde pintou na entrada do Centro de Artes e Letras da UFSM)”, lembra Negendre.

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Os Arbo levaram a sua música pelo país todo, e a cada parada a bagagem musical aumentava. “Saímos como vikings em um Drakkar com um reboque pendurado atrás”, conta Negendre. Influências latinas, medievais e africanas são só alguns dos itens da mistura do Quintal de Clorofila. A inspiração vinha da natureza e da lisergia: “As drogas alucinógenas tiveram importância vital na história do rock de Santa Maria. Cogumelos, corpos cheios de sonho, dançando e tocando pandeiros e flautas numa clareira. Melodias e letras nasciam assim, escritas na areia de um riacho minúsculo de uma fazenda a caminho do rio Verde”. A Quintal de Clorofila teve seu fim em 1998, mas os irmãos não pararam com a música.

Rock ponta de estoque

O “Mistério dos Quintais” foi lançado pela antiga loja de discos, K7s e CDs, Bobby Som, na Galeria Chami. Como fez a Quintal de Clorofila, muitas outras lançaram seus trabalhos por lojas. Além de gravadoras e revendas, os estabelecimentos serviam como ponto de encontro. Iniciada como um bar, a Excluzive era um desses espaços de compra de novidades e troca de informações, administrada por Gilberto Ramalho, o Betão, um dos pioneiros a vender Heavy Metal para a gurizada. Para trazer os lançamentos e encomendas dos clientes, Betão precisava ir até a capital. Hoje, downloads e Internet substituíram os rituais antigos. “Não tem mais aquele clima de ir até a loja e trocar idéias pra criação. É muito diferente falar com um só pelo computador, do que com dez ao mesmo tempo. Hoje a coisa tá muito individualizada, cada um curte um estilo e não há uma troca, uma ajuda”, lamenta Betão.

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“Os apaixonados continuam. Tem os ouvidores de som, que ouvem porque os outros estão ouvindo, e tem os curtidores, que vão procurar novidades, bandas menos conhecidas”, classifica Betão. As dificuldades de arrumar uma gravadora eram um modo de selecionar o que era bom ou ruim, segundo Betão. “O rock pra mim não morreu por insistência de uns da antiga. Se depender dessa gurizada de hoje em dia, com raríssimas exceções, adiós rock’n’roll. Eles estão mais preocupados com a tecnologia. Esquecem que os caras começavam com uma guitarra e morriam com ela. Hoje eles gastam um dinheirão pra tocar um monte de nada”. Para o comunicador Paulo Ricardo, o problema são as referências: “Olha a diferença das bandas que se copiava no passado e as de agora”.

A falta de contestação no rock é sentida pelo ex-Fuga Pylla: “Hoje o cara for reivindicar, não ganha o dinheiro do pai pra comprar o instrumento. Na nossa época, tinha cara que se formava em eletrônica por correspondência pra poder construir o próprio instrumento”. E continua: “Essas magias que não existem mais fazem o rock deixar de ser o rock que era pra virar um rock de boutique, do menino comportado, colorido, cheirosinho, que vai falar sobre a calcinha que não conseguiu tirar, uma coisa muito supérflua, boba, muito lixo, ao passo que estamos vivendo coisas no mundo que teriam que ser postas em pauta. Hoje tem muita gente que se precisa brigar, mas a juventude parece tem medo. A juventude ficou muito superficial, querem uma coisa pra eles e não pra nós. Não é um coletivo”.

Os novos roqueiros, como Léo, também sentem falta de um “rock-protesto” e critica a linguagem “feliz” do rock que tem sido apresentado pelas rádios de grande massa. “Falta interesse em buscar outras coisas além do que tá nas rádios. Hoje é fácil baixar um CD do Led Zeppelin, do Black Sabbath.” Sobre a cena que Léo herdou, Pylla pondera: “Tem uma alma criando ainda pra não deixar morrer o que existiu, são poucos dos que ainda pegaram a formatação inicial do rock. Por outro lado, me sinto vivo quando vou ao Teatro assistir grupos como Rinoceronte, de gente como éramos naquela época, que não espera acontecer”.

Talking about my generation

A Rinoceronte, citada por Pylla, tem Paulo Noronha como vocalista e guitarrista. O músico faz parte da geração que assistia aos shows da época do Elo Um. “Hoje a efervescência é outra”, ele diz. Como participante do Macondo Coletivo, que integra o movimento Fora do Eixo – rede que une trabalhos de cultura alternativa independente de produtores culturais do país – Noronha quer atingir um âmbito maior com a sua música, pensando no Brasil e fora dele. O vocalista se dedica desde 93 a projetos musicais, já transitou pelo blues, e agora na Rinoceronte, com Alemão Luiz Henrique na bateria e Vinícius Brum no baixo e voz, faz um rock simples e ao mesmo tempo pesado, cantado em português, com letras próprias, que resgata um rock com riffs pesados característico do fim dos anos oitenta em Santa Maria.

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Como observador e participante do mercado, Noronha crê num futuro próspero para as bandas independentes: “Seja rock, pop, sertanejo, vai ter um espaço bem maior do que hoje”.  E acredita que os movimentos vão se reciclando: “O diferencial é que nos 90 era rock autoral. Logo após a dissolução desse movimento, rolou outro com covers, que tá aí até hoje e mesmo assim, tem espaço pra banda autoral hoje, reduzido, mas tem”. Não se sabe se por exigência dos empresários, do público, ou de outros fatores, mas o cover está instituído na cidade. “A questão é homenagear mesmo, tocar um som que gostamos muito e transmitir isso pro público”, diz a vocalista Aniele Freire, da Lady Insanna, que costuma apresentar tributos à Janis Joplin. “Interpretar Janis é uma responsabilidade enorme, compensada pela resposta do público”, segundo Aniele.

Já o movimento de festivais parece estar crescendo. O Festival de rock independente Macondo Circus, por exemplo, acontecido em 2009, reuniu um grande público para assistir gratuitamente bandas de todos os lugares do país, inclusive daqui. Os shows aconteciam no centro da cidade, em plena luz do dia, em meio ao caminho de cada dia dos passantes na Praça Saldanha Marinho, e seguindo pela madrugada adentro no Macondo Lugar.

Também há outros festivais, como Cesma in Blues e Grito Rock, já se concretizando na agenda cultural dos santa-marienses, fundindo rock com outras manifestações, como artes visuais e teatro e ocupando lugares públicos e privados por toda cidade. “Temos boas bandas atuando de forma significativa e atraindo a atenção do público de fora. Tudo isso é fruto de uma organização na cidade entre diversos atores sociais que trabalham para fortalecer e divulgar os trabalhos daqui”, analisa Fábio Wilke, frontman da Ventores, banda que faz parte do nicho das autorais.

O estilo também está na tela dos cineclubes e em exposições, como a organizada pelo integrante do Macondo Coletivo, Marcelo Cabala, e a fotógrafa Estela Fonseca, que foi apresentada no Ciclo Mês do Rock no Cineclube Lanterninha Aurélio e depois em outros pontos de Santa Maria. “Eu posso dar o meu olhar para o momento, ter a liberdade de ‘fazer arte’ em cima de outra arte e apoio dos músicos pra isso”, diz Cabala sobre o porquê de registrar.

Há 10 anos acompanhando o rock santa-mariense, Cabala analisa: “Em 2004, os lugares diminuíram, o jornal não dava muito espaço, rádio já tinha mudado o perfil. Logo depois abriu o Macondo, em março de 2005, e muitas bandas viram ali um espaço. Só que ficou só lá e as bandas se acomodaram. A cena com o Macondo se fortaleceu por um lado e diminuiu por outro”. O momento é de se profissionalizar, gravar com qualidade e ter uma boa divulgação, segundo Cabala.  Atribuída por muitos como a causadora do fim do “clima rock”, a Internet é o meio principal de divulgação dessas novas bandas. “A lógica da produção e mesmo a sobrevivência musical se dá através da Internet”, afirma Fábio.

Onde estão os pioneiros?

A vilã/heroína Internet é um meio de encontrar o trabalho de bandas de Santa Maria que já não estão mais na ativa. E mais: é possível ver e ouvir os caras. Está no site de compartilhamento de vídeos Youtube “Crime ao Vivo: um elo, uma era”, documentário que retrata a “Santa Maria, Seattle do Sul”.  O vídeo é resultado de um projeto experimental do curso de Comunicação Social da Unijuí, idealizado e dirigido por Tiago Andrade dos Santos. Músicos, apoiadores, produtores, falam sobre a importância do Elo Um pra época, intercalados com trechos dos shows das bandas que formaram a coletânea.

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Pylla é um dos poucos da época da “Seattle do Sul” que continua na ativa, outros dão aulas, trabalham em estúdios, ou mudaram totalmente de profissão. O vocalista que já viveu o “sexo, drogas e rock’n’roll”, agora delega outra trindade para o rock “amor, liberdade musical e saúde”. Uma fase ruim em 2000 fez com ele se afastasse da música, mas se recuperou e lançou “Bruxos Rosa” em 2004. O segundo trabalho solo de Pylla, lançado em 2008, “Pylla Canta 25 anos de Rock Santa Maria”, reúne dez faixas de bandas que marcaram a história do rock de Santa Maria entre os anos 80 e 2000. A lista inclui Thanos, A Bruxa, Fuga, Nocet, Feeling, 220 Volts, Black Rain, Inseto Social, com a participação dos músicos que fazem ou faziam parte das bandas. O lançamento do CD reviveu a tradição dos shows no Largo da Locomotiva, na Avenida Presidente Vargas, reunindo um grande público.

“Eu reconheço que ainda estou na estrada só por insistência, porque eu ainda tenho que fazer essa semente brotar [aponta para o Léo] e porque o povo me faz feliz. Como disse Bono Vox do U2 e eu assino embaixo, a gente é feliz porque faz rock e isso nos dá a possibilidade e a bela sensação de mudar as coisas na nossa volta. Pelo menos na nossa volta.” E fazer rock em Santa Maria é ainda mais peculiar para Pylla: “O rock original tem a propensão de ser agitado, de protesto, e fazer isso em uma cidade religiosa como essa, com essa potência armada que temos, apesar da abertura política de agora e das pessoas serem menos conservadoras, é uma adrenalina, mexe contigo, testa tuas ânsias, tua ideologia”.

O criador da “Seattle do Sul”, Paulo Ricardo, tenta definir uma expressão para a cena atual: “Dá pra criar um conceito de que Santa Maria precisa voar de novo em termos de rock, de música, porque eu tenho bastante medo de como vai ser o futuro da música local. Minha filha chegou a ir aos shows quando pequena e tantos outros que sabem sobre a época ficam até frustrados por não terem vivido aquilo. Para isso voltar, é preciso uma mudança de mentalidade, apoio à cultura, o lado empresarial deveria dar mais asas, não só ao rock, mas a todos que fazem música boa na cidade”.

Mesmo com grande parte da agenda rock do fim de semana em Santa Maria ser composto por tributos e covers, parece haver um restabelecimento dessa relação preciosa e que leva algum tempo para ser concretizada do público cantando junto as composições próprias das bandas. Há quem discorde e acredite que o rock santa-mariense morreu. Cada um tem uma opinião, um gosto, uma ideia, e só dá para tirar a prova ouvindo. O rock feito no “coração do Rio Grande do Sul” não é só isso. Tem muitas outras histórias para contar e tantas se desenrolando. Só que, como diz Negendre, “se eu te contar todo o processo calculo uns 300 anos de cadeia…”

Abaixo, incorporei algumas outras edições da revista às quais eu participei ou tinha no meu computador. Conforme for postando as reportagens de cada uma, eu atualizo este post. Também participei das edições 12 e 13, mas não tenho o arquivo digital. Vou escanear e incluir aqui.

Revista Fora de Pauta – edição 11/dezembro de 2010 | Reportagem: Siga o mestre (RPG)

Revista Fora de Pauta – edição 10/outubro de 2010 | Reportagem: Esse tal de rock enrow santamariense

Revista Fora de Pauta – edição 09/julho de 2010

Revista Fora de Pauta – edição 08/junho de 2010

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