Perfil: No fluxo da UFSM desde criança

Tem algumas reportagens que nos marcam pelo seu teor mais controverso, triste ou inspirador. Fazer um perfil, então, é imergir na vida de alguém e é impossível sair sem marcas. No perfil abaixo, pude passar um tempo com o Rafael, que faz um tipo de arte a qual eu nunca havia entrado em contato. Ao longo das entrevistas, entendi melhor o seu modo de pensar e criar. De quebra, assisti uma apresentação dele, no campus da UFSM, que foi tão importante para a sua formação.

Foi dado um grande enfoque para a UFSM pelo fato do Infocampus ser uma revista online voltada para as pessoas que fazem a história da universidade. Foi uma publicação muito importante para o exercício do jornalismo, tanto pra mim, quanto para outros colegas.

Enfim, emerjam também no fluxo desse artista e aproveitem a leitura. 😀

Publicação de origem: Infocampus

Data de publicação: 01/11/2010

Link original: http://w3.ufsm.br/infocampus/?p=2905

NO FLUXO DA UFSM DESDE CRIANÇA*

Das pinceladas no quadro até a gravura digital, a arte percorreu um caminho longo em que a sua definição tem sido constantemente desafiada pela introdução de novos meios de expressão e cabe ao artista saber qual mídia escolher para mostrar o seu trabalho. O estudante de Artes Visuais da UFSM, Rafael Berlezi, escolheu um pouco de tudo, música, fotografia, vídeo e som. A temática: urbana. Carros, carros, carros. Fumaça dos escapamentos que sobe para as grandes muralhas de concreto da cidade. Tudo isso orquestrado com o som de buzinas, de conversas, do ritmo incessante da cidade. Além dos ícones das ruas, Rafael coloca em suas produções outro tema que conhece desde pequeno, a UFSM.

A família reside no bairro Camobi, bem perto da universidade, onde o avô, o tio e a mãe trabalharam. Sem muitas opções de lazer pela vizinhança, o campus acabou como a pista de bicicleta para as aventuras de infância e adolescência. “Antes mesmo de ser aluno, morei clandestino na casa do estudante, participei de ações sociais, muita coisa boa, ao mesmo tempo sempre almejando estudar e fazer parte de tudo aquilo”, afirma Rafael.

Anos depois de ser frequentador da universidade, Rafael oficialmente passou a fazer parte da UFSM, como aluno. A motivação para a escolha do curso foi a possibilidade de unir duas paixões: fotografia e música. A ideia era trabalhar com esculturas sonoras, mas Rafael rumou para o vídeo. “Tive sorte de ter contato com excelentes mestres no CAL”, conta Rafael. Foi também ali que Rafael conheceu o mestrando em Artes Visuais Fernando “Fefo” Codevilla: “Ele foi meu colega, professor, e hoje em dia, amigo e parceiro no Fluxo”, relata Rafael. Além do Fluxo, os dois trabalharam na banda Saturno Experiment e na performanceMaquínica, que buscou questionar a relação entre arte e tecnologia.

Fluxo é o mais recente trabalho de Rafael com Fernando. A obra foi apresentada, recentemente, no Teatro Caixa Preta, dentro da programação da 35ª Semana Acadêmica da Comunicação da UFSM, do dia 21 de outubro. Na sala escura são projetados vídeos de cenas urbanas de Santa Maria e Porto Alegre, captadas por câmeras compactas, sobrepostos com velocidades alternadas selecionadas por Fernando. A trilha de Rafael vai desde batidas eletrônicas do teclado e sintonizadores ao canto do quero-quero. A composição é sempre de momento e depende da sensibilidade, criatividade e sintonia da dupla de sentir o público e produzir um clima desejado à apresentação. Cada apresentação é única. Assista uma das intervenções Fluxo no vídeo abaixo.

O amontoado de fios, computadores com super softwares e grandes telas, além dos projetores – os quais Rafael utiliza nas apresentações de hoje – de longe lembram os aparatos que despertaram nele o gosto pela música: as panelas e um equipamento pequeno de sonorização herdado do pai. “Eu via muitos bateristas tocando ao vivo e ficava vidrado. Depois de tanto ficar batucando em tudo que era coisa em casa, caixas de papelão, pratos, enfim, consegui convencer a todos que era isso que eu queria fazer. Deu certo”.

Das panelas para ao instrumento de verdade: “Procurei um professor de bateria, mais uma vez a UFSM foi decisiva!”, conta. Ele ligou para o CAL e quem atendeu seria o seu futuro mentor Rafael Durand. “O Rafa me ensinou muito sobre bateria e sobre a vivência musical. Aprendi a tocar, ouvir e construir na linguagem musical”, diz. A partir de então, Rafael passou aos primeiros ensaios, shows na Boate do DCE, na Concha Acústica do Parque Itaimbé, na Casa do Estudante. “Com essas primeiras apresentações, percebi que era justamente isso que eu queria fazer: expressar-me artisticamente através da música”. Ele chegou a fazer shows até no exterior, sonoplastia de peças de teatro e recitais de formatura do Curso de Música da UFSM. Conforme o número de apresentações aumentava,  o amor pela música, fotografia e teatro, crescia.

Bagagem carregada na capital

Em mobilidade acadêmica no Instituto de Artes da UFRGS, Rafael tem aprofundado os conhecimentos em arte e tecnologia e novos projetos estão em andamento. Com as aulas e a companheira Janaína residindo em Porto Alegre, nem sempre Rafael pode voltar aqui: “Rever meus pais, amigos, familiares, meus cães, andar de bicicleta e pegar sol na UFSM, coisas raras em Porto Alegre, pelo pouco tempo que me sobra. Em compensação, fiz trabalhos para empresas multinacionais, bandas de renome nacional, enfim todas as coisas boas de estar em uma cidade propícia ao audiovisual”.

No canal de Rafael no site de compartilhamento de vídeos Youtube é possível ver grande parte das produções realizadas por ele. Um dos vídeos, Os Ratos, foi premiado no Festival Nadalin, de Tupaciretã, e na edição de 2008 do Santa Maria Vídeo e Cinema. No documentário, fotografias digitais mostram as experiências com ratos dentro do campus. ODocRU expõe as filas extensas que o Restaurante Universitário acumulava em 2008 com sobreposição de imagens, sons eletrônicos e depoimentos de alguns usuários. O cotidiano dos moradores de rua do centro de Santa Maria está retratado no documentário experimental Cidade Cheia.

Quem vê as produções de Rafael, que costumam provocar reações de inquietude, não imagina que sejam feitas por alguém cujo semblante quase nunca se altera e mantém  voz sempre tranquila, apesar da rotina atribulada. “Acontece tudo muito rápido, minha vida é imprevisível, inquieta, pulsante. É justamente isso que me move: a possibilidade de trabalhar com várias facetas da arte em meu cotidiano. Perdi as contas de quantos anos da minha vida dedico inteiramente trabalhando, criando e produzindo fotos sons e vídeos”.

Acadêmica:
Luciana Minuzzi – luminuzzi@gmail.com

Professora Responsável:
Luciana Mielniczuk – luciana.mielniczuk@gmail.com

*Este perfil faz parte do Site Infocampus

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